"Batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente. E a chuva não bate assim. Fui ver, era o ovário". Lembro-me de uma vez o Herman ter subvertido desta forma a famosa Balada da Neve do Augusto Gil. Ficou-me na memória pois é uma imagem forte. O ovário é imponente. Pujante mesmo. E tem aquela magia austera das coisas inalcançáveis ao toque ;)
Recentemente contudo fomos assaltados por uma dúvida que se revelou fonte de muita controvérsia, especialmente no seio de sociólogos, leigos e avessos a matérias biológicas. Seria o ovário um armazém repleto desde tenra idade, onde os óvulos se aglutinam e vão sendo expelidos individualmente e periodicamente, numa coreografia das trompas? Ou estariam constantemente a ser gerados novos óvulos pelo nosso organismo? Existem ferozes defensores de cada uma destas teorias opostas. Há quem sabiamente nos recorde que muito pouco do nosso corpo é imune a transformações constantes.Como acreditar num saquinho de ovinhos conservados há anos? Talvez o olho seja imutável. "Qual olho?" perguntaria o Milhão... Mas mesmo esse muda de côr...
Enfim, o réptil está lançado.
Alguém o apanhe.
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4 comentários:
Quanto a este caso parece-me evidente que estamos perante a emergência de duas novas escolas de pensamento daquilo a que podemos chamar sociologia reprodutora: a escola ovário grande armazenista e distribuidor; a escola dos pequenos produtores. Um debate circunscrito pelas teorias do conflito.
Acho que isto foi demasiado socio... bahhhhhhhhhh!
Ó Bernas!!! Daqui a pouco estamos a falar do Dahrendorf, quando o tema é simplesmente a existência e permanência, ou não, de ovários durante longos anos no sistema reprodutivo feminino.
Epá estes Sociólogos de almoço só vêm mesmo o lado social da vida!!!
nada disso...o Bernie tem razão..está aqui presente a emergência de duas perspectivas teóricas com duas bases epistemológicas distintas, que por sua vez condicionam todo o accionamento de instrumentos metodológicos e de questionamento. Como inquirir o óvulo? Envolvendo-nos quotidianamente com ele, numa interacção substantiva de aprendizagem ou através de de momentos circunscritos no tempo de inquirição descontextualizada e impessoal?
Xana, parece-me que é um facto indiscutível que os "ovários" permanecem durante longos anos no sistema reprodutivo :P
Quanto aos óvulos, posiciono-me do lado da "coreografia de trompas" mas o que me intriga realmente é a história das cegonhas que trazem os bebés. Parece-me, até, que a versão correcta é trazerem os bebés de Paris! Porquê cegonhas e porquê Paris, se eu as vejo no Alentejo? Parece-me uma história muito mal contada...
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